Sim. E essa talvez seja uma das verdades mais libertadoras que eu descobri na vida.
Por muito tempo eu pensei que sexualidade era algo que se definia cedo e pronto. Aos 18, 20 anos, você “descobre” se é hétero, gay, bissexual, e fim de papo. Escolhe uma caixinha, aprende umas posições básicas, assiste um certo tipo de pornô e vive dentro disso pro resto da vida. Achava que era assim que funcionava.
Hoje, com mais experiência e muita honestidade, eu vejo que sexualidade não é um destino. É um caminho. Uma tesão sem fim. E quanto mais eu me permito explorar, mais eu percebo que nunca vou chegar a um “fim”. Sempre tem mais camadas. Sempre tem mais prazer. Sempre tem mais eu pra descobrir.
Eu me lembro de quando comecei a me tocar. Era rápido, funcional, quase mecânico. Gozava pensando nas mesmas coisas de sempre. Achava que conhecia meu corpo. Até que um dia decidi ir mais devagar. Passei uma hora só explorando. Toquei lugares que nunca tinha dado atenção: mamilos, pescoço, parte interna das coxas, períneo, entrada do cu. Descobri que meu corpo inteiro é uma zona erógena quando eu dou tempo pra ele.
Anos depois, já adulto, me peguei fantasiando coisas que eu jurava que “nunca iria gostar”. Homens. Dominação. Ser observado. Ser humilhado de leve. Ser o centro de atenção de mais de uma pessoa. E não foi uma crise de identidade. Foi uma expansão. Meu desejo cresceu. Ficou mais rico, mais colorido, menos previsível.
Sexualidade é contínua porque a gente muda. O que me excitava aos 25 não é necessariamente o mesmo que me excita aos 33 e poucos. O corpo envelhece, a mente amadurece, as experiências vão moldando novos gostos. Às vezes você passa anos gostando só de mulher e de repente se pega duro imaginando um pau na boca. Às vezes você é gay assumido e descobre que adora comer uma boceta de vez em quando. Às vezes você percebe que o que realmente te liga não é o gênero da pessoa, mas o jeito que ela te olha, o tom de voz, o cheiro, o poder no olhar.
E tudo isso é normal. Tudo isso é humano.
O problema é que a sociedade ainda nos cobra uma sexualidade estática. “Decide logo quem você é.” “Para de mudar de ideia.” “Isso é coisa de quem tá confuso.” Mas eu não estou confuso. Estou vivo. E o vivo muda.
Pra mim, a descoberta contínua significa várias coisas práticas:
- Me permitir experimentar novos toques, brinquedos, fantasias e rituais sozinho.
- Conversar abertamente com quem amo sobre o que estou sentindo vontade de viver.
- Não me prender em rótulos rígidos, mesmo que eu use alguns por conveniência.
- Aceitar que hoje eu posso querer ser dominado e amanhã querer dominar.
- Entender que meu desejo pode incluir homens, mulheres, gays, trans, lésbicas, ou os "pessoas", sem que isso me torne “menos” qualquer coisa.
Eu já chorei gozando. Já gozei só com estimulação anal. Já fiquei excitado assistindo minha parceira com outra pessoa. Já fiz sexo lento, quase espiritual, e já fiz sexo bruto, sujo, sem limite. E todas essas versões são minhas. Todas são verdadeiras.
Se você está lendo isso e sente que sua sexualidade está “travada”, ou que você tem vergonha de querer coisas novas, eu te faço um convite sincero: dê permissão pra si mesmo. Não precisa mudar sua vida inteira de uma vez. Comece pequeno. Uma fantasia nova durante a punheta. Um toque diferente. Um brinquedo. Uma conversa honesta com seu parceiro(a). Um vídeo de um tipo diferente. Um espelho na frente da cama.
A sexualidade como descoberta contínua não exige que você vire outra pessoa. Ela só pede que você pare de fingir que já sabe tudo sobre si mesmo.
Porque a verdade é que ninguém sabe. O corpo guarda surpresas. A mente guarda desejos escondidos. E a vida, se a gente deixar, vai revelando aos poucos.
Eu não sei o que ainda vou descobrir sobre minha sexualidade nos próximos anos. E justamente por não saber, eu fico animado. Porque significa que ainda tem muito prazer guardado pra mim. Muito tesão. Muita entrega. Muita vida.
E você? Já parou pra se perguntar o que sua sexualidade ainda quer te mostrar? O que você anda adiando por medo, vergonha ou preguiça?
Sua sexualidade não é um livro fechado. É um livro que está sendo escrito todos os dias.
A única pergunta que importa é: você está disposto a continuar aprendendo?
Obrigado por chegar até o fim!
Este conto foi escrito exclusivamente para este blog.
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