Quando eu parei de correr e comecei a sentir

 

Durante muito tempo, eu vivi como se o prazer fosse algo que precisava ser resolvido rápido, quase como uma obrigação. Acordava com tesão, tomava banho, batia uma punheta olhando qualquer vídeo, gozava, e seguia o dia. Parecia normal. Todo mundo ao meu redor parecia fazer o mesmo. Ninguém falava sobre ir mais fundo, sobre realmente conhecer o próprio corpo, e dar tempo para o desejo respirar.

Mas eu comecei a sentir um vazio. Gozava, mas não me sentia satisfeito. O corpo pedia mais. A mente pedia mais. Era como se houvesse um universo inteiro dentro de mim que eu nunca tinha visitado. Foi aí que decidi parar de correr.

A primeira vez que me dediquei de verdade foi estranha. Tranquei o quarto, desliguei o celular, tirei toda a roupa e me deitei na cama. Não abri nenhum vídeo. Não pensei em ninguém. Só eu e meu corpo. Comecei passando as mãos devagar pelos braços, pelo peito, sentindo a textura da pele, o calor. Parei bastante tempo nos mamilos, apertando de leve, circulando, descobrindo que aquele toque simples já fazia meu pau subir devagar, latejando com calma.

Desci as mãos pela barriga, passei os dedos pela virilha, segurei o saco com cuidado, massageando. Não estava com pressa de chegar no orgasmo. Queria entender cada reação. Cada suspiro. Cada arrepio. Quando finalmente segurei o pau, ele já estava molhado na ponta. Espalhei aquele líquido devagar, lubrificando tudo, subindo e descendo com a mão inteira, sem pressa.

Eu respirava fundo. Fechava os olhos. Imaginava diferentes cenários, mas sem forçar nada. Deixava a mente vagar. Em determinado momento, molhei os dedos e desci mais. Toquei aquela região entre o saco e o cu, pressionando devagar. O prazer foi diferente, mais interno, mais quente. Continuei explorando. Um dedo circulando a entrada, sentindo o músculo pulsar. Entrei devagar, só a pontinha, e fiquei ali, sentindo. Não era invasão. Era descoberta.

Eu me toquei por quase uma hora naquela tarde. Gozei forte, com o corpo todo tremendo, mas o mais importante não foi o orgasmo. Foi a sensação de finalmente estar presente. De não estar fugindo de mim mesmo.

Depois daquele dia, comecei a repetir o ritual. Às vezes era suave e lento. Outras vezes era mais intenso, mais safado. Experimentei óleo, lubrificante, brinquedos pequenos. Descobri que gostava de ficar de quatro, espelho na frente, vendo meu próprio corpo se abrindo. Descobri que apertar a próstata me fazia soltar gemidos que eu nem sabia que era capaz de fazer. Descobri que podia chegar bem perto do orgasmo e parar, respirar, e voltar, prolongando o prazer por muito mais tempo.

E o mais bonito de tudo: quanto mais eu me conhecia, menos vergonha eu sentia. Vergonha de ter desejos diferentes. Vergonha de curtir estímulos que a sociedade diz que “homem de verdade não gosta”. Eu gosto. E isso não me torna menos homem. Pelo contrário. Me torna mais inteiro.

Se você é um cara hétero que sempre fez tudo no automático, te convido a parar um pouco. Experimenta tocar seu corpo como se fosse a primeira vez. Sem rótulos. Sem pressão de performance. Só curiosidade. Você pode continuar amando comer mulher, continuar se sentindo macho pra caralho, e mesmo assim descobrir que seu cu também sente prazer. Que seu corpo tem zonas erógenas que você nunca deu bola. Isso não te transforma em nada. Isso só te expande.

Se você é gay, espero que esse texto te lembre que o prazer vai muito além do sexo com outra pessoa. O autoconhecimento é a base de tudo. Quanto mais você sabe o que te faz delirar, mais intenso ficam seus encontros.

Se você está no meio do caminho, confuso, curioso, com vergonha… saiba que você não está sozinho. Muitos de nós passamos por isso. O desejo não segue regras. Ele só pede honestidade.

Hoje eu vivo diferente. Me toco com intenção. Transo com mais presença. Me permito fantasiar sem julgamento. E o resultado é que me sinto mais vivo. Mais sensual. Mais conectado comigo mesmo e com quem está do meu lado.

Você não vai virar outra pessoa. Você só vai parar de esconder pedaços de você. Se permita. Permissão pra gemer. Permissão pra demorar. Permissão pra sentir tesão de formas diferentes. Permissão pra se descobrir sem data de validade.

Porque a vida é curta demais pra viver com o freio de mão puxado no próprio prazer.

Se você chegou até aqui, quero te fazer um desafio: reserve uma hora só pra você esta semana. Sem pornô. Sem pressa. Sem objetivo de gozar rápido. Só explore. Toque. Sinta. Respire. Pergunte pro seu corpo o que ele quer de verdade.

Depois me conta aqui nos comentários o que você descobriu. Porque quanto mais a gente compartilha essas experiências, menos sozinhos nós ficamos.

Seu corpo está esperando por você.
Não o faça esperar mais.

Obrigado por chegar até o fim!
Este conto foi escrito exclusivamente para este blog.
📖 Gostou? Compartilhe o link da publicação, não o texto.
© Todos os direitos reservados. A reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização é proibida.

Postar um comentário

0 Comentários