Entregar-se não é fraqueza. É coragem pra caralho.
Eu demorei pra entender isso. Achava que entregar era deixar o outro fazer tudo, ser passivo, perder o poder. Hoje eu sei que é exatamente o contrário. Entregar-se de verdade exige que você conheça cada canto do seu desejo. Só quem sabe o que quer consegue dizer “sim” com o corpo inteiro.
Tem noites em que eu fecho os olhos e imagino mãos que não são as minhas. Mãos firmes. Boca quente. Voz baixa mandando eu ficar quietinho. E meu corpo reage antes mesmo da fantasia avançar. O coração acelera, a pele arrepia, o pau lateja pedindo atenção. É como se cada célula soubesse que, naquele momento, eu quero pertencer a alguém. Quero ser usado, admirado, lambido, mordido, marcado.
Mas entrega não é só com o outro. É primeiro comigo. Eu me entrego quando me toco devagar, quando espalho lubrificante e brinco com meu cu sem pressa, sentindo cada nervo acordar. Quando coloco um plug e fico horas sentindo ele ali, me lembrando que estou cheio, completo, pronto. Quando me olho no espelho enquanto me masturbo e não desvio o olhar, eu me encaro gozando, boca aberta, olhos molhados de tesão.
Essa é a entrega mais profunda: não ter vergonha de se ver inteiro. Cru. Molhado. Desejando.
E quando chega a hora de entregar pro outro… aí sim a magia acontece. Porque você não tá fingindo. Você não tá atuando. Você tá realmente ali, presente, oferecendo seu prazer como um presente. E isso é foda. Isso vicia. Tanto quem recebe quanto quem entrega.
Se tem uma coisa que aprendi é: quanto mais você se entrega aos seus desejos, mais poderoso você fica.
Porque ninguém mais consegue te controlar com vergonha. Você já é dono de si.
Obrigado por chegar até o fim!
Este conto foi escrito exclusivamente para este blog.
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